Procura e oferta · análise cruzada IHRU + INE Censos 2021

Procura e oferta na habitação · desencontro estrutural

Procura vs Oferta de Habitação
Indústria da Construção
Os números brutos enganam
Carências
300k
défice estrutural · APPII
Vagos
723k
brutos · INE 2021
127k
mobilizáveis imediatos · lei atual
Os 723k vagos parecem resolver o défice de 300k. Mas 348k já estão à venda ou para arrendar a preço de mercado, e só ~127k são mobilizáveis com a lei atual (devolutos com proprietário identificado, subarrendamento IHRU). A reforma legal pode acrescentar ~60–130k — sobretudo AL não declarado e heranças. Mesmo somando tudo (~220k), o stock vago fica abaixo do défice: mobilizar é metade da resposta, construir é a outra.
Necessidade vs. oferta · por NUTS II
Quanto do total de vagos é realmente mobilizável?
Carências:grave (1.º Direito)completa (literatura CiTUA-IST)estrutural (APPII, +acessibilidade)3 níveis cumulativos (subsets aninhados)
Vagos:brutos (total INE)mobilizável imediato (lei devolutos)via reforma (AL, heranças, imposto sobre devolutos)
A.M. Lisboa
Carências (3 níveis · cumulativo)140 000
20 672 grave· 45 000 completa· 140 000 estrutural
Vagos brutos160 000
… destes, mobilizáveis53 000
30 000 imediato+ 23 000 via reforma
… só o imediato30 000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Norte
Carências (3 níveis · cumulativo)100 000
16 981 grave· 32 000 completa· 100 000 estrutural
Vagos brutos197 000
… destes, mobilizáveis58 500
35 000 imediato+ 23 500 via reforma
… só o imediato35 000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Centro
Carências (3 níveis · cumulativo)25 000
4191 grave· 9000 completa· 25 000 estrutural
Vagos brutos173 000
… destes, mobilizáveis55 000
30 000 imediato+ 25 000 via reforma
… só o imediato30 000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Alentejo
Carências (3 níveis · cumulativo)15 000
5330 grave· 8000 completa· 15 000 estrutural
Vagos brutos84 000
… destes, mobilizáveis27 000
15 000 imediato+ 12 000 via reforma
… só o imediato15 000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Algarve
Carências (3 níveis · cumulativo)15 000
3798 grave· 7000 completa· 15 000 estrutural
Vagos brutos60 000
… destes, mobilizáveis13 000
8000 imediato+ 5000 via reforma
… só o imediato8000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Açores
Carências (3 níveis · cumulativo)2500
732 grave· 1500 completa· 2500 estrutural
Vagos brutos22 000
… destes, mobilizáveis7000
4000 imediato+ 3000 via reforma
… só o imediato4000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Madeira
Carências (3 níveis · cumulativo)2500
732 grave· 1500 completa· 2500 estrutural
Vagos brutos27 000
… destes, mobilizáveis8000
5000 imediato+ 3000 via reforma
… só o imediato5000
e mesmo este é potencial · lei devolutos é pouco aplicada
Leitura. A barra de carências decompõe-se em 3 níveis cumulativos (grave ⊂ completa ⊂ estrutural). Do lado da oferta, três barras com restrição crescente revelam a cascata de afunilamento: (1) vagos brutos — o headline INE que motiva "há casas a sobrar"; (2) mobilizáveis — o subset que pode ser politicamente acionado (imediato + via reforma legal), excluindo o stock já no mercado e os complicados irrecuperáveis; (3) só o imediato — aquilo que a legislação atual permite ativar sem reforma. A nível nacional: 723k brutos → ~220k mobilizáveis → apenas 127k imediato. AML: 160k brutos → ~53k mobilizáveis → 30k imediato — face a 140k de défice estrutural. Mesmo este "imediato" é um valor teto: a lei dos devolutos é raramente aplicada na prática (IMI agravado executado por poucos municípios, IHRU sem capacidade operacional para subarrendamento em escala). O número real efetivamente mobilizado anualmente é uma fração diminuta dos 127k. Compare-se: para resolver carência grave nacional (52k), seria necessário ativar 41% do "imediato" teórico — e mesmo isso ficaria muito abaixo do défice estrutural (300k), que só fecha com construção nova. A repartição regional do "via reforma" é estimada (38% dos complicados de cada região); uma distribuição fina exige cruzar a BGRI 2021 com o registo nacional de AL e as heranças em curso.
O quadro de reformas
O que pode ir além do imediato?
O vetor A é o caminho para concretizar os 127k imediatos com a lei existente; os vetores B e C são a reforma propriamente dita, que pode levar o total a ~190–260k mobilizáveis. Cada instrumento indica a unidade do seu efeito — fogos de stock, fogos por ano ou famílias apoiadas — e unidades diferentes não se somam.
A · Existentes — aplicação insuficienteesforço: orçamental + capacidade institucional
IMI agravado em fogos devolutos
~30–50k fogos
Agravamento até 10× no 4.º ano sobre fogos vazios >12 meses, com expansão automática nas zonas de pressão habitacional.
DL 67/2019 · art. 112.º CIMI·~10% dos 308 municípios aplicam sistematicamente
Subarrendamento via IHRU em escala
~30–50k fogos
IHRU intermedia entre proprietário e inquilino vulnerável — garante renda mínima + utilização social. Captura devolutos puros sem expropriação.
Programa Arrendamento Subsidiado existente·opera em poucas centenas/ano por falta de capacidade institucional
Direito de preferência IHRU sistemático
~5–15k fogos/ano
IHRU adquire em zonas de pressão habitacional com preferência sobre compradores privados (preço de mercado). Captura fluxo de transações para política pública.
Lei 83/2019 (Lei de Bases), art. 35.º·raramente exercido por falta de capacidade aquisitiva
Programa Apoio ao Arrendamento (PAA) reforçado
~50–80k famílias
Apoio direto à renda para famílias com taxa de esforço >35%, no stock de mercado existente. Não expande oferta — torna acessível o que já existe.
Porta 65 + AA + Renda Apoiada IHRU·Porta 65 Jovem: 45,6k beneficiários em 2025 · escala plena requer €300–500M/ano
B · Em discussão — parcialmente implementadasesforço: legislativo + regulamentar
Quotas de habitação acessível (AA) em novos empreendimentos
~10k fogos/ano
20–30% das unidades em novos empreendimentos >20 fogos devem ser AA, vinculadas a tetos de renda. Não mobiliza stock — molda o futuro.
PDM Lisboa (revisão em curso)·discutido no PNH 2024, não regra geral nacional
Regulação AL em zonas de pressão habitacional
~30–60k fogos
Suspensão de novos AL + sunset gradual sobre existentes nas zonas onde renda >35% da mediana local. Stock potencialmente reverte para arrendamento longa duração.
Lei Mais Habitação (2023) implementou·parcialmente revertida em 2024 sob pressão de lobby turismo
Heranças jacentes — ação executiva acelerada
~20–40k fogos
Prazo curto (5 anos) para herdeiros se manifestarem após óbito; ação executiva sobre o imóvel após esse prazo. Captura "complicados" no limbo sucessório.
Reforma do Código Civil (sucessões)·discutido academicamente, não em proposta de lei
C · Estruturais — politicamente contestadasesforço: político muito alto + risco económico
Tetos de renda em zonas de pressão habitacional
acessibilidade
Definição objetiva de zonas + teto de renda vinculado a renda mediana local (ex: 30% do salário mediano). Não expande oferta — redistribui acessibilidade.
Lei 83/2019, art. 36.º (previsto, não regulamentado)·risco: retração de oferta no mercado de arrendamento privado
Imposto progressivo sobre devolutos (vacancy tax)
~10–30k fogos
Imposto anual sobre stock devoluto prolongado, escalável por região e duração da vacância. Diferencia-se do IMI agravado por ser declaração universal obrigatória nacional, não identificação municipal discricionária.
Precedente: Vancouver, Paris, Toronto·não está em discussão formal em Portugal
Limitação de aquisição por não-residentes
efeito preço
Restrições ou impostos adicionais sobre aquisição por não-residentes em zonas de pressão. Reduz pressão de procura externa; efeito principal sobre preço, não stock.
Sem precedente em Portugal · Canadá (proibição temporária desde 2023), Nova Zelândia (2018)·risco jurídico em conflito com liberdade de circulação capital UE
Síntese. O vetor A não acrescenta stock ao imediato: é o caminho para o concretizar. IMI agravado e subarrendamento somam ~60–100k fogos, abaixo do teto teórico de 127k; o direito de preferência é um fluxo anual de compras no mercado e o PAA apoia famílias, não acrescenta fogos. A reforma propriamente dita, contando só fogos de stock, soma ~60–130k: regulação do AL (30–60k), heranças jacentes (20–40k) e imposto sobre devolutos (10–30k). As quotas AA são construção nova (~10k fogos/ano); tetos de renda e limites a não-residentes atuam sobre acessibilidade e preço. Com reforma plena, o stock mobilizável chega a ~190–260k — abaixo do défice estrutural de 300k. Nenhuma combinação de reformas dispensa construção nova.
Mapa município a município
Défice estrutural × oferta mobilizável
mobilizávelcríticovago sem procuraequilibrado
MOBILIZÁVEL · oferta ≥ 25% do déficeCRÍTICO · oferta < 25% do défice · construir é inevitávelVAGO SEM PROCURAEQUILIBRADO01k2k3k4k5k05k10k15k20k25k30kDÉFICE HABITACIONAL ESTRUTURAL (ESTIMATIVA)FOGOS VAGOS MOBILIZÁVEIS (ESTIMATIVA)Lisboa: défice 30 000 · mobilizáveis 4000 (13% do défice)LisboaSetúbal: défice 12 000 · mobilizáveis 1500 (13% do défice)SetúbalAmadora: défice 15 000 · mobilizáveis 500 (3% do défice)AmadoraAlmada: défice 14 000 · mobilizáveis 1000 (7% do défice)AlmadaLoures: défice 13 000 · mobilizáveis 900 (7% do défice)LouresSintra: défice 12 000 · mobilizáveis 1200 (10% do défice)SintraSeixal: défice 7000 · mobilizáveis 900 (13% do défice)SeixalPorto: défice 18 000 · mobilizáveis 2000 (11% do défice)PortoV.N. Gaia: défice 8000 · mobilizáveis 2000 (25% do défice)V.N. GaiaMaia: défice 5500 · mobilizáveis 900 (16% do défice)MaiaMatosinhos: défice 9500 · mobilizáveis 1300 (14% do défice)MatosinhosCoimbra: défice 8500 · mobilizáveis 2500 (29% do défice)CoimbraAveiro: défice 4500 · mobilizáveis 1100 (24% do défice)AveiroBragança: défice 800 · mobilizáveis 1500 (188% do défice)BragançaMirandela: défice 600 · mobilizáveis 1300 (217% do défice)MirandelaPinhel: défice 300 · mobilizáveis 1000 (333% do défice)PinhelIdanha-a-Nova: défice 250 · mobilizáveis 1100 (440% do défice)Idanha-a-NovaMação: défice 200 · mobilizáveis 800 (400% do défice)MaçãoVimioso: défice 150 · mobilizáveis 600 (400% do défice)VimiosoÉvora: défice 3500 · mobilizáveis 1200 (34% do défice)ÉvoraGrândola: défice 1500 · mobilizáveis 700 (47% do défice)GrândolaFaro: défice 2800 · mobilizáveis 700 (25% do défice)FaroLoulé: défice 2500 · mobilizáveis 1200 (48% do défice)LouléVila F. Xira: défice 4000 · mobilizáveis 600 (15% do défice)Vila F. Xira
Leitura. A cor de cada concelho resulta de uma regra explícita, a mesma que desenha as zonas: com défice acima de 5k, é mobilizável se a oferta cobre pelo menos 25% do défice e crítico se não cobre; com défice abaixo de 5k, é vago sem procura se há mais vagos do que défice. Só V.N. Gaia e Coimbra (terracota escuro) cobrem um quarto do défice com vagos mobilizáveis. Lisboa e Porto, apesar de terem o maior stock vago em valor absoluto, mobilizam apenas 11–13% do seu défice — estão no mesmo grupo crítico que Amadora, Setúbal, Loures, Almada, Sintra e Matosinhos (terracota claro): construção nova é matemática, não opcional. O interior despovoado (cinza) — Bragança, Mirandela, Pinhel, Idanha-a-Nova, Mação, Vimioso — tem mais vagos do que défice: vago sem procura local, irrelevante para o défice nacional. Os concelhos equilibrados (cinza claro) — Évora, Faro, Loulé, Aveiro, Vila Franca de Xira — têm défice moderado, sem tensão extrema. Passe o cursor sobre um ponto para ver a percentagem do défice coberta.
Implicações
Quatro leituras das dinâmicas

1 · A discussão pública compara grosso com grosso e tira a conclusão errada. "723k vagos > 300k carência → temos casas a sobrar". Mas 348k dos vagos já estão no mercado (a preço de mercado, inacessíveis a baixa renda); ~248k são complicados (heranças, AL não declarado, ruínas), dos quais só ~60–130k são recuperáveis com reforma; só ~127k são mobilizáveis com a legislação atual. Esta última fronteira — o "imediato" — depende de aplicação rigorosa da lei dos devolutos, que raramente acontece. A comparação honesta entre necessidade e oferta acionável é 300k vs. 127k — não 300k vs. 723k.

2 · Mas o "imediato" não é uma fronteira física, é uma fronteira política. Para lá do imediato, a reforma legal pode acrescentar ~60–130k fogos — regulação do AL em zonas de pressão, ação executiva sobre heranças jacentes, imposto sobre devolutos. Cada uma destas reformas é politicamente contestada; a sua aplicação combinada multiplicaria a oferta efetiva por ~1,5 a 2. É relevante, mas não chega: mesmo com reforma plena, o stock vago mobilizável (~190–260k) fica abaixo do défice estrutural de 300k. Mobilizar é uma decisão institucional; construir é uma necessidade aritmética.

3 · A AML é o caso mais apertado, mesmo com reforma plena. Défice estrutural ~140k vs. vagos mobilizáveis imediatos ~30k → gap de 110k. Com reforma legal plena, mobilizável total sobe a ~53k → resta gap de ~87k (porque ~37k dos complicados AML ficam irrecuperáveis e 70k já estão no mercado). Construção nova é matemática, não opcional — mesmo com toda a reforma legal, a AML não fecha sem novo stock. As alavancas reais são solo público, CCP simplificado para promoção habitacional, e os instrumentos legais dos vetores B e C da secção de reformas.

4 · O Centro tem folga, mas no sítio errado. Vagos mobilizáveis imediatos ~30k vs. défice estrutural ~25k. Com reforma plena, mobilizável ~55k vs. 25k → folga de ~30k. Tecnicamente, é a região onde "mobilizar resolve" — mas os mobilizáveis estão tendencialmente no interior despovoado (Pinhel, Mação, Idanha-a-Nova), enquanto o défice estrutural está no litoral urbano (Coimbra, Aveiro, Leiria). A fricção aqui é de coesão territorial — gente quer ficar onde há trabalho, casas vagas estão onde gente saiu.

Nota metodológica

Três níveis de carência — subsets aninhados (grave ⊂ completa ⊂ estrutural):(i) Grave indignidade — barracas, sobrelotação extrema, falta de condições básicas. Subset mais restrito. Fonte: acordos 1.º Direito 2022 (IHRU). N = 52.436 famílias / 185 municípios.(ii) Estimativa completa — superset do (i): grave + extrapolação académica das ELHs ainda não cobertas por acordos. Mesmo conceito de indignidade, estendido a 308 municípios. Fonte: trabalho da Sílvia Jorge (CiTUA-IST, projeto FCT 2020.01858.CEECIND) via análise sistemática das ELHs. Em 2022: 65k em 113 ELHs; projeção ~104k quando concluir 308.(iii) Défice estrutural total — superset do (ii): inclui também acessibilidade ao mercado (jovens sem crédito, taxa de esforço >40%, sobrelotação moderada, subarrendamento informal). Fonte: APPII 2026 (~300k), JRC UE (70% em AML+AMP).

Três categorias de vago — disjuntas, somam ao total (INE Censos 2021, total nacional 723.215):(a) No mercado — 348.097 fogos vagos disponíveis para venda ou arrendamento. Já fazem parte da oferta a preço de mercado; não resolvem carência por definição (estão fora do alcance financeiro de quem tem carência habitacional).(b) Devolutos mobilizáveis — estimativa ~30-40% dos 375.118 "outros motivos": fogos com proprietário identificado, em condições próximas a habitação, sem complicação legal. Alavanca real da política habitacional (lei de devolutos, IMI agravado, subarrendamento via IHRU).(c) Devolutos complicados — estimativa ~60-70% dos "outros motivos": heranças disputadas, proprietários desconhecidos, AL não declarado, ruínas com obras maiores. Requer instrumentos legais específicos. Estima-se que ~25–50% (~60–130k) sejam recuperáveis com reforma legal; os restantes ~120–190k são residuais.

Breakdown AML documentado (Observador 2023, dados INE): 70k disponíveis no mercado + 89.728 "outros motivos" = ~160k vagos brutos. Nas restantes regiões, a repartição entre mercado, mobilizáveis e complicados é estimada e calibrada para somar aos totais nacionais. A divisão dos 89.728 entre (b) mobilizáveis e (c) complicados é estimativa — para precisão real é necessário cruzar BGRI 2021 (subsecção INE) com bases de IMT/AT (proprietários), AL (registo nacional) e tribunais (heranças em curso).

Três comparações válidas, três políticas distintas. (α) Curto prazo — só imediato: ~300k carência estrutural vs. ~127k mobilizável sob lei atual → gap 173k a fechar com novo stock ou reforma. (β) Médio prazo — com reforma legal: ~300k vs. ~190–260k mobilizável (imediato + via reforma dos vetores B e C da secção de reformas) → gap de 40–110k mesmo com reforma plena; só fecha com construção nova. (γ) Comparação errada (a mais comum publicamente): ~300k vs. ~723k brutos → leitura "há casas a sobrar" que ignora que ~350k já estão no mercado a preço inacessível, e ~120–190k são residuais não-mobilizáveis (a parte dos complicados que nem a reforma alcança). Entre (α) e (β), a escolha é institucional; a necessidade de construir é comum a ambas.

Referências
Carências habitacionais
  1. IHRU (2018). Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional. Lisboa: Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.
  2. Jorge, S. (2022). A alavanca do 1.º Direito: um olhar sobre a primeira geração de estratégias locais de habitação. Finisterra, LVII(119), 109–128.
  3. Jorge, S. (2024). A resposta do Plano de Recuperação e Resiliência às situações de indignidade habitacional: um olhar sobre as estratégias locais de habitação traçadas e as oportunidades em aberto. RPER, (68), 121–136. doi:10.59072/rper.vi68.549
  4. Allegra, M. (PI, 2022–2026). LOGO — A governança local das políticas de habitação. Uma investigação das estratégias locais de habitação. Projeto FCT 2022.03719.PTDC, ICS-ULisboa.
  5. APPII (2026, fevereiro). Portugal precisa de 70 mil novas casas por ano. Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários.
  6. Joint Research Centre — Comissão Europeia (2026, janeiro). Housing needs in Portugal: outlook 2025–2035. Relatório técnico.
Parque habitacional e vagos
  1. INE (2022). Censos 2021 — Resultados Definitivos. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística.
  2. INE (2021). Censos 2021 — Resultados Preliminares. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística.
  3. INE. Base Geográfica de Referenciação da Informação (BGRI) 2021. Geopackage com variáveis por subsecção estatística.
  4. PÚBLICO (2023, março). Quantas casas vagas há na minha freguesia? Veja o mapa. Análise interativa por freguesia.
  5. Observador (2023, fevereiro). Portugal tem 723 mil casas vazias (mais de 150 mil só na zona de Lisboa). Análise da decomposição AML.
  6. Mendes, L. (2022). The Dysfunctional Rental Market in Portugal: A Policy Review. Land, 11(1), 1–17.
Quadro normativo e instrumentos
  1. República Portuguesa (2018). Decreto-Lei n.º 37/2018, de 4 de junho. Cria o Programa 1.º Direito — Programa de Apoio ao Acesso à Habitação.
  2. Assembleia da República (2019). Lei n.º 83/2019, de 3 de setembro. Lei de Bases da Habitação.
  3. República Portuguesa (2025). Decreto-Lei n.º 44/2025. Alterações ao Programa 1.º Direito (apoio especial a famílias sem financiamento e simplificação de candidaturas).
  4. Conselho de Ministros (2018). Resolução do Conselho de Ministros n.º 50-A/2018. Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH).
  5. Recuperar Portugal (2021–2026). PRR — Componente C02 · Habitação. Plano de Recuperação e Resiliência. Verba prevista: ~3.274 M€, dos quais 1,21 mil M€ alocados ao 1.º Direito.
Estratégias Locais de Habitação consultadas
Estratégias Locais de Habitação dos municípios de Amadora, Vagos, Valongo, Lousã, Guimarães, Porto, Setúbal, Sesimbra e Vila Real, entre outras consultadas no Portal da Habitação do IHRU (portaldahabitacao.pt/estrategias-locais-de-habitacao).
Nota sobre o nível (ii) "literatura": a estimativa é construída a partir da extrapolação das ELHs analisadas até à data, principalmente do trabalho conduzido por Jorge (refs. 2 e 3) no projeto FCT 2020.01858.CEECIND ("Habitação como 1.º Direito"), conduzido no CiTUA — Centro para a Inovação em Território, Urbanismo e Arquitetura do IST/Universidade de Lisboa. A projeção utilizada (~85-104k) assume que a relação entre famílias sinalizadas / ELHs publicadas se mantém quando as 308 ELHs estiverem concluídas. Trabalho complementar de Allegra (ref. 4) no projeto LOGO foca a governança da implementação.