Simulador exploratório · 28 instrumentos, 14 indicadores · heurísticas + feedbacks

Simulador de Políticas de Habitação

Procura vs Oferta de Habitação
Indústria da Construção
Cada política tem um preço. Aqui consegue testá-lo.
28
instrumentos · 6 painéis
Fiscalidade · oferta · público · regulação · tecido · procura
14
indicadores · 3 horizontes
Preços · oferta · défice · qualidade · tecido · produtividade · custo público · classe média
8
feedbacks · não-lineares
Preço↔oferta · procura↔preço · público↔tecido · escala↔produtividade · território↔público · saturação · stress admin
0
alterações ativas · vs status quo
cenário no baseline · não alterado
Cada instrumento que move aqui tem um efeito documentado na literatura, com um intervalo de incerteza honesto. As escolhas combinam-se, interagem em feedbacks codificados, e geram trajectórias em três horizontes. É um simulador exploratório — não uma previsão. Os intervalos refletem isso.
Cenários preset
A explorar: Status Quo · mix 2026
Configurar políticas · 28 instrumentos em 6 painéis
IVA · construção habitação acessível
Lei 9-A/2026 · Andersson & Bergvall (2018)
IMT Jovem (até 35 anos)
DL 21/2024 · BdP "Foreign demand in PT housing" (2023)
IMT · não-residentes
BdP (2023); paralelos Canadá BC 2018, NSW 2017
IMI agravado · fogos vagos
CIMI art. 112.º-B · paralelo Vancouver EHT 2017
Benefício fiscal · reabilitação
Estatuto Benefícios Fiscais · IFRRU 2020 ex-post
Impactos estimados
Trajetória em três horizontes
Cenário no status quo — todos os impactos estão a zero. Mova um instrumento ou carregue um preset para começar.
Curto prazo
1-2 anos · manifestação principal · sparkline mostra trajetória completa
Preço m² construção
base 1500 €/m²
sem alteração
CML
Preço médio venda
base 2500 €/m²
sem alteração
CML
Fogos licenciados / ano
base 25 mil
sem alteração
CML
Procura externa
base 12 %
sem alteração
CML
Acessibilidade classe média
base 50 índ.
sem alteração
CML
Médio prazo
3-5 anos · manifestação principal · sparkline mostra trajetória completa
Défice habitacional residual
base 250 mil
sem alteração
CML
Qualidade média oferta
base 55 índ.
sem alteração
CML
Dimensão média empresa
base 4 trab.
sem alteração
CML
Execução orçamental pública
base 65 %
sem alteração
CML
Custo público anual
base 1200 M€/ano
1.2G M€1.3G M€
+50 M€/ano
CML±8
Longo prazo
6-10 anos · manifestação principal · sparkline mostra trajetória completa
Produtividade setor
base 100 índ.
sem alteração
CML
Gap PT-UE em produtividade
base 52 %
sem alteração
CML
% nova oferta fora AML/AMP
base 35 %
sem alteração
CML
% obra reabilitação vs nova
base 28 %
sem alteração
CML
Validação ex-post · 2024-2025
O que o modelo previa vs o que aconteceu

Portugal correu, em 2024-2025, uma experiência natural que permite testar a lógica central deste modelo: lançou simultaneamente isenção de IMT para jovens (ago 2024) e garantia pública de crédito — dois estímulos puros à procura — sem expansão correspondente da oferta. Com o ano de 2025 já fechado (dados INE de fevereiro-abril de 2026), é possível confrontar o que o modelo prevê com o que se observou.

O modelo prevêO que se observouConsistência
Estímulos à procura em oferta inelástica → subida de preços quase 1-para-1 (Davis-Heathcote)INE: preços +17,6% em 2025 — máximo da série desde 2009; aceleração para +18,9% homólogo no 4.º trimestre (o mercado não travou nos preços)✓ sinal correto
O efeito concentra-se no stock existente, que não expande, mais do que na construção novaINE 2025: habitações usadas +18,9% vs novas +14,2% — a procura subsidiada empurrou sobretudo o stock existente✓ mecanismo fino confirmado
Subsídios à compra elevam acessibilidade imediata dos abrangidos61 mil jovens usaram IMT Jovem; 25,5 mil contratos com garantia (42% dos jovens compradores; 5,1 G€)✓ adesão massiva
Crédito facilitado sem oferta → risco desloca-se para mutuários marginaisBdP: novos créditos a mutuários de alto risco passaram de 3% (2024) para 21% (2025)✓ sinal correto
A procura externa não é o motor dos preços — são as famílias nacionaisINE 2025: compradores estrangeiros caíram pelo 3.º ano (−13,3%, 8.471 fogos); famílias nacionais compraram +10,5% e foram 87,5% das transações (peso máximo desde 2019)✓ coerente

Leitura honesta: a consistência é de sinal e mecanismo, não prova causal — a descida das taxas de juro, o crescimento do rendimento e a escassez estrutural também contribuíram para a subida de preços. Mas a experiência 2024-25 é coerente com a lógica central do modelo: subsidiar a procura sem expandir a oferta transfere grande parte do subsídio para os vendedores via preço.

Honestidade epistémica
O que este simulador não capta

· Interações além das codificadas. Muitas políticas têm efeitos cruzados não-aditivos — ex: subsídios à procura com simplificação de licenciamento podem amplificar pressão sobre custos mais do que a soma sugere.

· Correlação de incertezas. Os intervalos por política agregam-se assumindo independência; em cenários com 15+ instrumentos alterados, as incertezas estão correlacionadas (mesmos pressupostos macro) e o intervalo real é maior do que o mostrado — os valores devem ler-se como ordens de grandeza.

· Dinâmica territorial fina. Os indicadores são nacionais; o impacto em Lisboa, Porto e interior pode divergir em ordem de magnitude.

· Resposta política e capacidade administrativa. Reformas dependem da capacidade de execução do IHRU, autarquias e fiscalidade — gap entre desenho e implementação raramente é captado em coeficientes.

· Ciclo económico exógeno. BCE, energia, conflitos geopolíticos — tudo isto sobrepõe-se ao espaço político.

· Efeitos comportamentais de longo prazo. Pais que ajudam filhos a comprar, filhos que ficam em casa dos pais, redução de natalidade por incerteza — afetam procura de forma difícil de modelar.

· Distribuição dentro da classe média. O indicador acessibilidade classe média mede o custo total típico de aquisição para uma família mediana (rendimento ~3.000 €/mês) com base em IVA, IMT, garantia de crédito, spread, benefícios fiscais e subsídios diretos. Não distingue subsegmentos (jovem vs família estabelecida vs herdeiro), nem capta efeitos sobre mobilidade residencial. Famílias acima ou abaixo do rendimento mediano podem ter trajetórias inversas às mostradas.

Nota metodológica
Como ler os números

α · Natureza dos coeficientes. Cada impacto é uma heurística defensável baseada na literatura empírica internacional e dados PT disponíveis, não uma previsão. Os intervalos de incerteza (±X) refletem a dispersão entre estudos e a aplicabilidade ao contexto português. São maiores onde a literatura é mais contestada (tetos de renda, vacancy tax) e mais pequenos onde é sólida (IVA, simplificação de licenciamento).

β · Soma de impactos. Os efeitos diretos de cada política são somados linearmente, sob pressuposto de que dois desvios pequenos do baseline não amplificam-se de forma extrema. Para grandes desvios, esta aproximação degrada — ver feedbacks abaixo.

γ · Feedbacks codificados. Oito interações não-lineares estão explicitamente modeladas: (i) tetos de renda fortes amplificam contração da oferta nova; (ii) IMT estrangeiros + AL apertado têm efeito duplo na procura externa; (iii) investimento público + contratos modulares aceleram consolidação do tecido; (iv) modular pleno + BIM + formação geram ganhos compostos de produtividade; (v) descentralização territorial + investimento público forte reforçam-se mutuamente; (vi) saturação dos retornos de produtividade acima de 25% (limite de absorção do tecido); (vii) penalização administrativa cumulativa quando 3+ políticas públicas estão no nível máximo (gargalo de execução); (viii) saturação do défice habitacional acima de −45% (limite físico de construção). O gap PT-UE é derivado mecanicamente da produtividade (cada ponto de produtividade fecha ~0,4 pontos de gap, porque a UE também avança). O preset «Consenso otimizado» resulta de otimização computacional (coordinate descent, multi-restart) sob quatro funções de bem-estar com pesos distintos (equilibrada, social, classe média, fiscal) e restrição orçamental — inclui apenas os instrumentos escolhidos por todas as quatro; os instrumentos de despesa pública direta e de subsídio à procura divergem entre perfis e ficam de fora, refletindo que são escolhas de valores, não de técnica. Atenção: custos políticos e jurídicos das medidas (direitos adquiridos, constitucionalidade) não estão modelados. Outras interações são tratadas como ruído residual e capturadas no aumento da incerteza.

δ · Indicadores e baselines. Os 14 indicadores têm valores baseline calibrados a fontes oficiais: INE (preço mediano nacional 2.076 €/m² em 2025, 2.198 €/m² no 4.º trimestre; Grande Lisboa 3.439 €/m²; taxa de esforço em Lisboa próxima de 100%), IHRU/EUROSTAT (défice), McKinsey MGI (produtividade), OE2026 (custo público 1.200 M€/ano; IMT Jovem 60 M€/ano), Banco de Portugal (5,1 G€ em garantias jovem 2025; 42% dos jovens beneficiaram; 21% dos novos créditos a mutuários alto-risco) e Portal da Habitação (Porta 65: 45.600 jovens em 2025, apoio médio 275 €/mês). Mostram variação face a esse baseline; o custo orçamental é o único indicador em valor absoluto (M€/ano).

ε · O que não está aqui. Custo orçamental de cada política (precisa de uma camada fiscal separada), efeitos distributivos (Gini, decis), pegada carbono, e estabilidade financeira do setor bancário. São próximas iterações naturais.

Referências de calibração
Literatura empírica usada
[1] Andersson, J. & Bergvall, F. (2018) · VAT Pass-Through and Construction · Stockholm Institute of Transition Economics.
[2] Diamond, R., McQuade, T. & Qian, F. (2019) · The Effects of Rent Control Expansion · American Economic Review 109(9).
[3] DIW Berlin (2022) · Mietendeckel · ex-post evaluation · DIW Wochenbericht 13/2022.
[4] McKinsey Global Institute (2017) · Reinventing Construction.
[5] McKinsey (2024) · Delivering on Construction Productivity Is No Longer Optional.
[6] Segú, M. (2020) · The Impact of a Tax on Vacant Apartments · Journal of Public Economics.
[7] City of Vancouver (2023) · Empty Homes Tax · Annual Report 2017-2023.
[8] BdP (2023) · Foreign Demand in Portuguese Housing · Boletim Económico.
[9] Davis, M. & Heathcote, J. (2007) · The Price and Quantity of Residential Land · JME 54.
[10] OECD (2022) · Construction sector regulatory burdens · indicators.
[11] CEDEFOP (2023) · Skills mismatches in construction · Europe.
[12] BEI (2024) · Annual Report on Affordable Housing financing.
[13] Mense, A. & Krause, M. (2021) · Rent control and supply · Munich working paper.
[14] AICCOPN (2026) · Perspetivas para 2026.
[15] INE (2024) · SCIE; ICCHN; Censos 2021; Demografia das Empresas.
[16] OE2026 · Programa de Infraestruturas e Habitação · dotações.
[17] Lei 9-A/2026 · IVA 6% para nova oferta acessível · cláusula 25 anos.
[18] DL 21/2024 · IMT Jovem.
[19] DL 44/2024 · Garantia pública crédito jovem.
[20] DL 76/2024 · Regime AL revisto.
[21] Recuperar Portugal · PRR Componente 6 · Qualificações.
[22] Acordo IHRU-BEI · linha 1,34 mil M€ · 12 mil casas até 2030.